PDV do BB: um desrespeito ao trabalhador

O Programa de Demissão Voluntária do Banco do Brasil (PDV do BB), ocorrida nos anos 90, fazia parte de um projeto maior do governo de Fernando Henrique Cardoso para privatizar o banco.
Houve 28 suicídios dentre os funcionários e mais de 90% das pessoas que se demitiram não conseguiram recolocação.
O plano de demissão voluntária aconteceu sob coação. Havia a ameaça de que se não houvesse a adesão ao plano, no futuro a demissão aconteceria por outras vias.
Além disso, os benefícios prometidos pelo banco, como reemprego com auxílio do Sebrae e auxílio para aqueles que desejassem abrir seus próprios negócios, não se efetivaram.
Essas informações foram passadas pelo presidente da Associação dos Demitidos Voluntários do BB e ex-funcionário do banco, José Heitor Paiva.
Albino Degasperi, também da Associação dos Demitidos Voluntários do BB, disse que, em 1995, 14 mil pessoas saíram do Banco do Brasil através do plano e, posteriormente, até 2002, aconteceram 50 mil demissões voluntárias. Para Degasperi, houve um verdadeiro terrorismo para que os funcionários aderissem ao plano.
A dificuldade de recolocação posterior e o fracasso na tentativa de empreendedorismo levaram aqueles que aderiram ao plano a terem dificuldades financeiras gravíssimas, as quais muitos deles enfrentam até hoje. Além disso, de acordo com Degasperi, os funcionários perderam o plano de assistência médica ou mesmo casas financiadas pelo banco, devido ao aumento das prestações.
Atualmente, há três projetos de lei no Congresso Nacional cujo objetivo é reverter as demissões, mas nenhum deles foi devidamente apreciado.
A esperança agora, ainda de acordo com Paiva, é que a Comissão Interamericana de Direitos Humanos tome providências, a partir de denúncia feita pela Associação.

Fonte: ALESP