JOAN BAEZ

Nascida nos Estados Unidos, Joan Baez conseguiu se tornar uma das mais festejadas cantoras de música de protesto

Subiu em palanques ao lado de Martin Luther King, cantou em prisões, foi se apresentar nos teatros dos negros quando eles eram proibidos de entrar nos teatros dos brancos, manifestou-se aberta e intensamente contra a Guerra do Vietnã, fundou em 1966 um instituto dedicado ao estudo da não-violência, militou na Anistia Internacional, e se aliou à resistência democrática em todos os países dominados por ditaduras militares na América do Sul.

Em 1974, meses depois do golpe que assassinou Salvador Allende e entregou o governo do Chile ao general Augusto Pinochet, Joan Baez lançou um disco em espanhol intitulado Gracias a la Vida, como a canção da chilena Violeta Parra. Sua inspiração para lançá-lo foi justamente a crueldade do regime. Joan Baez usou sua arte para mandar uma mensagem de esperança ao povo chileno e, ao mesmo tempo, ajudar a colocar o Chile no centro da pauta internacional. “Quando o golpe foi deflagrado, nós da Anistia Internacional trabalhamos duro para salvar vidas, e de fato salvamos algumas”, declarou, numa reportagem da revista People.

Filha de pai mexicano, professor de Física na Universidade de Stanford, Joan Baez nasceu em Staten Island, perto de Manhattan, mas passou a adolescência na Califórnia, onde adquiriu gosto pela música e pelas bandeiras do pacifismo e da diversidade. Tinha 18 anos quando chamou atenção ao estrear num Newport Folk Festival, em 1959.

Em 1962, já havia se tornado a maior cantora folk americana, com três discos gravados, um deles ao vivo, e estampou a capa da revista Time, aos 21 anos. Namorou Bob Dylan nessa época, misturou Beatles com canções folclóricas, casou-se com um militante antibélico, subiu grávida ao palco do Woodstock (1969) e se engajou numa série de lutas antes de fazer sua primeira turnê pela América Latina, aos 33 anos, para divulgar o álbum Gracias a la vida, ao mesmo tempo em que aproveitava as entrevistas para denunciar a violência dos regimes ditatoriais.

Gravou “Te Recuerdo Amanda“, de Víctor Jara, “Guantanamera“, de Joseíto Fernández e José Martí, além dos hits “El Preso Número Nueve“, de Roberto Cantoral, e o tema de domínio público “No Nos Moverán“. Em inglês, destacam-se “The Boxer“, de Simon & Garfunkel, e “Blowin’ in the Wind“, de Bob Dylan.

 

 

 

Nas asas da Panair

No dia 10 de fevereiro de 1965, o ministro da Aeronáutica, Brigadeiro Eduardo Gomes fechou a Panair do Brasil.

O Brigadeiro havia perdido duas eleições presidenciais. A primeira, em dezembro de 1945, formando em torno de si a União Democrática Nacional (UDN). Durante o período eleitoral, eram vendidos doces para angariar fundos para apoiar sua campanha; esses doces ficaram conhecidos posteriormente com o nome da patente do candidato: brigadeiros. Foi derrotado pelo general Eurico Gaspar Dutra, ministro da Guerra de Vargas.

Em 1950, foi novamente candidato à presidência da República pela UDN, sendo, dessa vez, derrotado pelo próprio Vargas. Foi um dos líderes da campanha pelo afastamento de Vargas após o atentado contra o jornalista Carlos Lacerda, em agosto de 1954. Com o suicídio de Getúlio Vargas, assumiu o ministério da Aeronáutica no governo de Café Filho (1954–1955). Em 1964, participou do golpe militar que depôs o presidente João Goulart.

Fundada em 1929 por um grupo norte-americano, a Panair foi inteiramente nacionalizada em 1961, pelas mãos de Celso da Rocha Miranda e Mario Wallace Simonsen, cujos grupos econômicos somavam mais de 40 empresas que se destacavam em diversos setores, como o (Foto: Acervo da família Di Villarosa)

Voltando à Panair, este foi um de muitos empreendimentos de um gênio brasileiro, Mario Wallace Simonsen!

Era o maior comerciante de café do mundo e, em cima do café, construiu um império que ia de supermercados à TV Excelsior, do embrião da Embratel ao maior centro de mecânica de aviões das Américas, em Petrópolis, no Rio.

Mario Wallace cometeu um pecado mortal. Apoiou Jango. A TV Excelsior segurou Jango no poder quando Jango não estava mais em Brasília!

E com o mestre Jânio de Freitas, Wallace começou – no inicio de 1964 – a montar um jornal nacional, impresso, para enfrentar o PiG.

Panair do Brasil (Foto: Marcos/Wikipedia)

O Golpe militar precisava destruí-lo. E abriu duas frentes.

Uma CPI do Café, na Câmara, sob a liderança de Herbert Levy, da UDN de São Paulo, mancomunado com o Estadão e o cerco implacável à Panair – com a ajuda do Judiciário.

Então, no dia 10 de fevereiro de 1965, “enterrou-se” a maior companhia aérea que o Brasil já teve em todos os tempos.

Tratou-se da maior violência perpetrada contra um grupo de empresas e de empresários brasileiros pelo golpe militar de 64 em conjunto com o Judiciário.

Tão importante foi a Panair no mundo que até hoje não conseguiram enterrar seu nome. Basta ouvir a música “Conversando no Bar” de Milton Nascimento e Brant, imortalizada na voz de Elis Regina. Mesmo quem não conheceu a companhia chama a música de “Nas Asas da Panair”, que só não teve esse título para ultrapassar a censura, pois, se, de fato a música se chamasse como todos pensam que se chama, não seria liberada tamanha a sanha dos militares contra ela e seus proprietários – até que desaparecessem.

Uma atitude de perseguição política com a colaboração do Judiciário que afetou literalmente da noite para o dia a vida das 5.000 famílias de seus funcionários além de gerar uma indignação pública.

Pois bem, como a ditadura “cassou” as rotas da empresa e assim ela ficaria sem a maior parte do seu faturamento, a Panair imediatamente ingressou com pedido de concordata, equivalente da época para a atual Recuperação Judicial. Digo a maior parte e não todo o faturamento uma vez que a Panair ainda teria receita por ser proprietária de diversos aeroportos como o de Belém, Recife e outros, balcões, guichês, aviões, hangares, imóveis em Paris, Londres, Nova Iorque e etc.

Ela detinha as linhas de comunicação aeronáutica de toda a América do Sul, além de redes telegráficas e, ainda, a CELMA, empresa que fabricava peças e fazia manutenção nos equipamentos da Panair e das empresas congêneres, para não dizer das concorrentes. A CELMA foi cercada e literalmente tomada pelos militares no mesmo dia.

Impetrada a concordata, em poucos dias, após a visita do Brigadeiro Eduardo Gomes, Ministro da Aeronáutica da ditadura, ao Juiz da causa, a Justiça decretou a falência da companhia, que não tinha um único título protestado ou cobrança judicial. A justificativa – a FUTURA insolvência por falta de rotas…

No vai-e-vem judicial todos os ativos da Panair foram leiloados liquidando-se a companhia, numa velocidade processual histórica, nunca antes vista e que jamais o será. O ridículo é que o síndico encarregado de vender os ativos e pagar o passivo apresentou um saldo (positivo) à época de 500 libras.

Isso, considerando que a companhia, após dois anos da decretação de sua falência, pagou com recursos próprios a demissão de todos os seus funcionários – e em dobro!

Além disso, seu débito com a União foi quitado com a “desapropriação” de seus aviões, posteriormente vendidos a preço de banana para a Varig.

A VARIG que, na época, era 5 vezes menor que a Panair em número de funcionários e não detinha praticamente nenhuma rota internacional, imediatamente assumiu o “controle” da companhia.

Tanto que, no fatídico dia 10 de fevereiro de 1965, no início da noite, a Varig já realizou o voo Panair programado do Rio para Frankfurt com sua própria tripulação. Os passageiros que estavam no avião da Panair, na pista do Galeão, foram deslocados para o da Varig, ao lado, onde já eram esperados!

Publicado em Conversa Afiada http://www.conversaafiada.com.br/brasil/a-odebrecht-vai-fechar-como-a-panair

I Can’t Get No) Satisfaction

“(I Can’t Get No) Satisfaction” é uma canção da banda de rock inglesa The Rolling Stones lançada em 1965. Ela foi escrita por Mick Jagger e Keith Richards e produzida por Andrew Loog Oldham. A canção é notável pelo seu riff de guitarra de três notas de Richards que abre e dirige a música, e pela letra, que inclui referências ao tema anti-consumismo.  Isso, em particular, fez com que a música fosse “percebida como um ataque contra o status quo”.

A canção foi lançada como single nos Estados Unidos em junho de 1965 e também participou da versão americana do álbum Out of Our Heads, lançado em julho daquele ano. “Satisfaction” foi um sucesso, dando aos Stones seu primeiro número UM nos Estados Unidos. No Reino Unido o single foi lançado em agosto de 1965 e se tornou o quarto número UM dos Rolling naquele país. A canção é considerada uma das melhores canções de todos os tempos de rock. Em 2004 a revista Rolling Stone colocou “Satisfaction” em segundo lugar na sua lista dos 500 maiores canções de todos os tempos, enquanto em 2006 ele foi adicionado à Biblioteca do Congresso Nacional de gravação do registro.