Concílio Vaticano II

O Concílio Vaticano II é considerado o grande evento da Igreja Católica no século 20. Com o objetivo de modernizar a Igreja e atrair os cristãos afastados da religião, o papa João XXIII convidou bispos de todo o mundo para uma série de conferências realizadas no Vaticano entre 1962 e 1965.

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Após o falecimento do papa João XXIII, seu sucessor, o Papa Paulo VI convocou a 2ª Conferência do Conselho Episcopal Latino-Americano, que foi realizada em Medellín (Colômbia), entre agosto e setembro de 1968. O objetivo era aplicar os ensinamentos do Concílio Vaticano II às especificidades da Igreja latino-americana.

Dentre as opções tomadas pelos bispos da América Latina na Conferência de Medelín estava “a opção preferencial pelos pobres”. Este processo resultou na tentativa de construção de uma Igreja “progressista”.

O pentecostalismo cresce na miséria

O número de evangélicos no Brasil saltou de 6,6% da população, em 1980, para 22%, em 2010, mas a década onde houve o maior crescimento do número de evangélicos foi entre 1991 a 2000, em que passaram de cerca de 13 milhões para cerca de 26 milhões. Além disso, nesse intervalo foram contabilizados 10 anos e nos outros intervalos 11 ou 12 anos como entre 1980 e 1991.

Ao contrário do que eu havia entendido sobre a pesquisa do IBGE, Jacob Cesar Romero afirma que nos últimos anos o ritmo de crescimento evangélico vem diminuindo freado por conquistas sociais.

— O pentecostalismo cresce na miséria. Quando as políticas de inclusão e de educação começam a se fazer presente, há redução no crescimento — conclui ele.

Jacob Cesar Romero, cientista político, professor da PUC-Rio e um dos autores do Atlas da Filiação Religiosa e Indicadores Sociais no Brasil (PUC-Rio e Edições Loyola, 2003) chama a atenção para o fato de que não se trata de um fenômeno homogêneo.

A proliferação de evangélicos no país se concentra historicamente nas fronteiras agrícolas e nas periferias metropolitanas. E isso nada tem de aleatório. A origem remete ao nosso processo de urbanização. Entre o início da I Guerra Mundial, em 1914, e a crise do petróleo de 1974, o Brasil muda progressivamente seu perfil, de rural para urbano.

Até então, os migrantes que saíam do campo apostavam no sonho de uma vida melhor na cidade. A partir do agravamento das crises econômicas, que fariam os anos 1980 ficarem conhecidos como “a década perdida”, as economias urbanas estagnaram enquanto o agronegócio deixou de precisar da mão de obra tradicional.

Isso fez com que a população rural passasse a ser expulsa do campo sem ter mais as luzes da cidade.

Em crise, os centros urbanos não conseguiam absorver tanta gente, e o resultado foi a favelização. Criaram-se aí, de acordo com o professor Jacob, as condições ideais para a entrada de um discurso de salvação trazido pelos pentecostais. O período coincide com o enfraquecimento da atuação da Igreja Católica na periferia — diante da decisão do Vaticano de centrar forças no combate ao comunismo na Europa do Leste.

Abandonados à própria sorte em lugares onde o Estado não chegava, sem moradia, sem emprego, sem saneamento básico, migrantes que romperam seus vínculos tradicionais para cair em selvas de pedra encontraram alento nas pregações inflamadas que prometiam prosperidade.

O alastramento estatístico vem sendo amplificado simbolicamente pela atuação de pastores nos meios de comunicação e na política.

Mesmo com o ruído provocado por sucessivos projetos da bancada religiosa contra direitos dos homossexuais e das mulheres, por exemplo, a antropóloga Christina Vital, professora da Universidade Federal Fluminense e colaboradora do Instituto de Estudos da Religião (ISER), avalia que os evangélicos são menos poderosos em termos de efetividade política do que aparentam.

Como exemplo, ela cita a candidatura do pastor Everaldo à Presidência, que alcançou menos de 1% dos votos na última eleição. E da própria Marina Silva, que mesmo sendo evangélica sequer chegou ao segundo turno.

— Olhar para o Congresso como se fosse a vitória da força conservadora não é verdade. A grande quantidade de projetos da bancada evangélica representa mais um modo de fortalecer seu capital político do que propriamente um avanço nas agendas conservadoras — pondera Christina.

Na sua avaliação, a militância conservadora é também uma reação a avanços sociais conquistados na sociedade, como as novas configurações familiares e sexuais. Por isso, refletiria o tensionamento da própria sociedade.

— Há um limite para o que está posto, não é uma coisa avassaladora — entende.

Pós-doutor em Sociologia da Religião, o professor da USP Ricardo Mariano concorda. Segundo ele, o perigo não mora na bancada evangélica em si, que foi eleita pelas regras democráticas e representa 15% do Congresso — com pouca força para aprovar projetos isoladamente.

O que lhe agrega força — e pode, sim, representar obstáculos preocupantes a avanços no campo dos direitos sociais e de minorias — é a sua associação com outros setores conservadores, num triunvirato que já vem sendo chamado de BBB, por unir as bancadas da Bíblia, do Boi e da Bala — evangélicos, ruralistas e defensores da indústria de armamentos.

Em pleno século 21, o avanço da ciência não se traduziu em secularização, como no passado muitos imaginavam. Para Alberto Moreira, doutor em teologia e em ciência das religiões, professor da PUC-Goiás, a crença de que a modernidade significaria o fim do mito do pensamento mágico se revelou uma falácia.

— A globalização nos desterritorializou a todos. Nessa crise de referência, a religião permanece fonte para a construção da identidade — diz Moreira.

Mas as instituições tradicionais deixaram de ser as principais mediadoras, dando espaço a uma maior subjetividade. Isso faz com que seja mais fácil fieis transitarem entre crenças como quem escolhe produtos num hipermercado da fé.

— Hoje cada um é gerente de seu próprio céu — define Moreira.

Numa era de tantas incertezas, nada mais vendável do que um produto que promete curar todos os males, trazer dinheiro e amor aos convertidos.

— A classe média gasta muito em terapia, a Igreja Católica exige muita penitência. Na Evangélica é mais fácil. Eles dizem que todo o pecado vem por alguém não aceitar Jesus. Mesmo que a pessoa tenha cometido crimes, é só aceitar Jesus e a pessoa zera o passado, vira a página — compara o professor Cesar Romero Jacob.

 

zh.clicrbs.com.br/rs/noticia/2015/04/como-a-ascensao-evangelica-esta-mudando-as-relacoes-sociais-e-politicas-no-pais-4737504.html

g1.globo.com/brasil/noticia/2012/06/numero-de-evangelicos-aumenta-61-em-10-anos-aponta-ibge.html