Importância das Avós Para a Evolução Humana

Fatos fáceis de serem constatados:

As fêmeas humanas, ao contrário das descendentes de outros símios, sobrevivem muito além da sua idade fértil.

A fêmea humana que amamenta o filho exclusivamente no próprio peito e sempre que o bebê pede, com grande frequência portanto, terá a probabilidade de engravidar reduzida a cerca de 2%.

Se a fêmea humana pode contar com a ajuda da própria mãe para buscar alimento para o bebê e para as outras crianças porventura existentes, então a fêmea humana pode espaçar as mamadas ou mesmo desmamar o bebê assim que ele possa ingerir alimento sólido. Bebês com alimentação mais rica e variada são mais saudáveis e mais robustos e desmamam mais cedo.

Sem amamentar a intervalos curtos, a fêmea humana tem a probabilidade de produzir crianças em intervalos mais curtos.

As fêmeas ancestrais que viraram avós conseguiram passar adiante os genes da longevidade. Então, as avós alimentarem os netos deixou de ser um hábito ou costume e ficou registrado nos genes.

Essa é a chamada “Hipótese da Avó”.

O biólogo evolucionista William Hamilton apresentou essa ideia, pela primeira vez, em um artigo em 1966, baseando-se em um trabalho teórico de George Williams e Peter Medawar. No entanto, “a hipótese da avó” só decolou durante os anos 80 e 90, com base em uma pesquisa de campo com dados coletados pela antropóloga Kristen Hawkes e seus colegas da Universidade de Utah, em Salt Lake City.

Outros dados que ajudaram a sustentar a teoria da avó vieram de estudos de outras culturas de subsistência e, também, de registros históricos, embora nem todos os estudos apoiem essa hipótese.

“Essa hipótese foi muito importante porque influenciou e estimulou muitas pesquisas”, disse Friederike Kachel, bióloga evolucionária do Departamento de Antropologia Evolutiva do Instituto Max Planck, de Liepzig, na Alemanha.

Esta teoria foi o passo inicial para tornar-nos quem somos, afirma Kristen Hawkes, professora de antropologia da Universidade de Utah e principal autora do novo estudo, publicado em 24 de outubro de 2012 na Proceedings of the Royal Society B.

Apesar do caráter intuitivo e de basear-se em relatos e observações, faltava à “hipótese da avó” provas quantitativas mostrando que a longevidade poderia ter evoluído a partir da ajuda das avós.

Simulação matemática comprova participação das avós na evolução humana

Esta semana o assunto voltou à baila com a divulgação de um estudo feito a partir simulações de computador as quais forneceram suporte matemático para a famosa hipótese de que os seres humanos evoluíram em relação aos macacos porque as avós ajudavam a alimentar seus netos.

As simulações que levaram em conta apenas a participação das avós, sem envolver variáveis como tamanho do cérebro ou expectativa de vida, ajudaram a comprovar que depois de 24 a 60 mil anos que as avós começaram a cuidar de seus netos, as criaturas que chegaram à idade adulta passaram a viver mais 49 anos.

Muitas teorias antropológicas afirmam que o aumento do tamanho do cérebro dos nossos antepassados foi o principal fator da evolução humana. Neste estudo, a autora propõe que: “ter uma avó nos tornou mais sociáveis, com tempo para dedicar atenção aos outros integrantes do grupo. Isso serviu de base para a evolução de características humanas, como a ligação entre casais, a cooperação, o aprendizado de novas habilidades e o consequente aumento do cérebro.”

A hipótese inicial foi proposta a partir de um estudo de campo de Hawkes e James O Connell, da Utah University, e Nicholas Blurton Jones, da UCLA, apresentado em 1997. Nos anos 80, eles tinham vivido com o povo Hazda, e na tribo, puderam observar mulheres velhas coletando tubérculos e outros alimentos para seus netos.

Todos os demais primatas, após o desmame, buscam seu próprio alimento.

Com a mudança do ambiente africano (local onde os ancestrais humanos se desenvolveram) as florestas desapareceram, dando lugar a pastagens onde as crianças recém-desmamadas tinham muita dificuldade de buscar seu próprio alimento.

Desta forma o papel das avós foi decisivo.

“Os primatas que ficaram perto das fontes de alimentos possibilitando aos recém-desmamados alcançar com facilidade o próprio alimento, são hoje os macacos maiores, nossos parentes mais próximos. Os que tiveram que apoiar a alimentação de seus filhos com a participação das avós, evoluíram, se tornando seres humanos”, dizem os autores do estudo.

Fontes: Portal Ciência &Vida e Isaude.net

Postado por Prof. José Antonio Dias às 14:12